Mistari 200 ya kwanza.
Moria!
Como se conta uma vida?
Minha vida.
Eu não sou uma pessoa comum.
Minha história também não é.
Minha vida é espetacular.
E esta viagem também é.
Para quem não me conhece, meu nome é Moria Casán.
Sou argentina.
Sou o obelisco com seios.
Isto não é só um set.
É a minha cabeça.
Passado, presente e futuro.
Tudo modernizado.
Maquetes que iluminam o mapa da minha vida.
Minha cartografia ficção-realidade, minha personalidade refletor.
Desde muito pequena eu me sinto enorme.
Sempre fui a titereira da minha vida.
Não sou uma heroína convencional.
Sempre fui diferente, uma marciana.
Uma aberração.
Sabem o que significa ser uma aberração?
Vou contar.
Por onde começo?
Pelo começo?
Ou pelo momento exato em que minha vida mudou para sempre?
A GRANDE REVISTA PORTENHA
DIRIGIDA POR CARLOS PETIT
Era 1968.
A Argentina era uma bela bagunça.
E a Avenida Corrientes, uau! O coração vibrante do teatro.
Nos meus 22 anos de vida, jamais tinha ido a um teatro de revista.
Eu era uma rebelde
que ainda não tinha ideia de quem queria ser.
- Uma taça de vinho, por favor. - Claro.
Obrigada.
Gostou de mim ou eu te devo algo?
Você é linda. Isso é inegável.
Então gostou de mim.
- Sabe dançar? - Tem festa por aí?
Não que eu saiba.
Mas minha pergunta é séria. Sabe dançar?
Fui professora de dança.
- É mesmo? - Sim.
- Em uma escola? - Na garagem da minha casa.
Tem interesse no teatro de revista?
Não sei.
É a primeira vez que vejo um show assim.
Bem,
se estiver interessada, estarei aqui na semana que vem.
Quinta, às 17h.
Pergunte por Carlos A. Petit.
Estava te esperando.
- Esperou muito? - Acabei de chegar.
Quem era aquele cara?
Não sei. Deve ter me confundido com outra.
- Vamos? - Vamos.
Você me conta tudo?
Sim. Por quê?
- Você me ama? - Olhe pra frente. Sim.
Então por que mente pra mim?
Sobre o quê?
O que aquele cara disse?
Que cara?
- O cara com quem conversou… - Do que está falando?
- Isso de novo? - Diga a verdade.
- Você vai… - Viu como ele olhou pra você?
Não. Como ele olhou?
- Como todos os homens! - Como?
- Sabe muito bem. - Não, me conte.
- O que ele disse? - Não sei.
- Estou falando com você… - Não…
Fale a verdade!
O que está fazendo?
O que está fazendo?
- O que está fazendo? - Pare.
- Não! - Pare.
Me solte!
Me leve pra minha casa.
Me leve pra minha casa.
- Pare. - Me leve pra minha casa.
- Me leve pra casa. - Pare.
Desculpe.
Ei.
Desculpe.
Ei.
Sou eu.
Sou eu.
- Quem era aquele cara? - Pare.
Quem?
Ele te deixou excitada?
- Ficou excitada? - O que tá fazendo?
Nosso Código Civil é preciso.
Não há instituição mais fundamental que o casamento.
Toda mulher argentina tem a tranquilidade
de que pode descansar
sob a proteção de seu representante legal.
Ou seja, seu marido.
Um marido capaz de gerenciar as finanças da casa
e representar a mulher em todos os atos jurídicos.
Eu cobro.
Oi, pai.
Oi, querida.
- Espere, de novo. - Vamos de novo.
- Certo. Rápido. - Vamos.
- Você chegou, filha. - Oi, mãe.
Oi.
O Rubén te trouxe?
Não.
Finalmente vão morar juntos?
Não sei, mãe. Ainda não sei.
Pense bem.
Pense nisso, hein?
TCHAU
Está atrasada. O Sr. Petit está esperando. Por aqui.
E um…
Seis.
Sente-se.
Cinco, seis.
Dani, faça a sequência de novo.
Certo, desde o começo.
Em cinco, seis, sete. E um, dois, quatro.
E um, dois, quatro.
Todas juntas.
Tem interesse?
Vá se trocar.
Não tenho roupa para trocar.
Alguém tem um collant pra emprestar pra senhorita?
Aqui. Eu tenho um.
Venha comigo.
Muito bem.
Então, quando vamos para trás, é direita, esquerda, direita.
E mantenham assim até saírem atrás. Certo?
Venha comigo.
Não deixe esgarçar. Merda pra você!
Mostre os braços. Alongados.
Cotovelo, pulso, mão.
Passe a bengala.
Vamos fazer um quatro. Meninas, comigo.
Sete e um, dois, três, quatro.
Mais plié quando descer.
Pescoço alongado, topo da cabeça no teto.
Mantenha a postura. Ombros pra trás. Quadril encaixado.
Passarela.
Pode ir.
Seu nome, senhorita?
Ana María Casanova.
Mas me chamam de Moria.
Moria.
Vá para o vestiário. Vai estrear em 30 minutos.
Muito bem.
Meu nome é Miguel.
Para sobreviver aqui, tem que fazer tudo o que eu mandar.
- Está claro? - Sim.
Esse adorno está torto, Tania. Vamos!
- Migue, os tecidos chegaram? - Amanhã.
Tá, estou esperando.
Bem-vinda à convivência.
As Bluebell Girls.
O Sr. Petit as trouxe do Lido, em Paris.
Isso é um exército.
Só que sem roupas.
Senhora, esta é a substituta da Sandra.
Vai estrear em dez minutos.
Volto em cinco.
Por que ainda não está pronta? Vamos lá.
- David! - Já vou.
Vejamos, sente-se.
- Sou o David. - Oi.
Vamos trabalhar juntos. Olha, vou te dar um conselho.
Pode esquecer tudo, menos a boca vermelha.
Perfeito.
Vamos. Você vem com a gente.
- Se se perder, me copie. - Vá na frente.
Sou a Luisa.
- Sou a Pupé. - Moria.
E você? Você relincha?
Ai, adorei! Vamos, dê uma voltinha.
Olhem só isso.
Por favor, Arturo, comporte-se!
Como está?
Disse que está muito bem.
Olhem e aplaudam este bolinho.
Parece o Canal de Suez, mas mais cheinho.
Bravo!
- Ele estava aqui? - Estava.
Na terceira fila.
- Não o vi. - Miau!
- Você estava impecável. - É?
Parabéns.
Não.
Não tire a maquiagem, senão o Petit te mata.
Não pode tirar a magia das pessoas.
Vamos na África hoje?
O que é África?
Bem-vinda.
Toda a fauna está aqui.
Oi.
O cara de cabelo comprido é jogador do San Lorenzo.
Veio com a modelo loira de quem todos falam.
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