Blood

Blood (O Sangue)

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O Sangue 1989
A Commentary by JNGR
Midas Films DVD OCR synchronized for the Japanese Blu-ray

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bluray
Published on: 2026-08-10
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Hearing Impaired: No
FPS: 24

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The first 200 lines.

Faça de mim o que quiser.

Venha comigo.

- Que é que eu digo ao Nino? - Que morri!

O SANGUE

A noite estava escura

E não tinha luar

Ouviu-se lá ao longe

O lobo a uivar

Vicente!

Ainda bem! A Rosa fugiu outra vez.

Levou o teu irmão.

- Rosa! - Nino!

Hoje ninguém tinha mão nela. Não sei o que lhe deu.

Estão sozinhos outra vez?

É por pouco tempo.

Só sei coisas de ti porque ele me conta tudo.

Quando é que volta o teu pai?

Não sei. É o tratamento.

Está pior?

Rosa, que foi?

Quem é que te fez mal?

Já te disse tantas vezes para não vires brincar para aqui sozinha.

Depois as professoras ralham comigo...

Olha para ti...

Às vezes assustas-me.

Lembras-te?

Nino, vamos para casa. O pai está à espera.

O pai?

Hoje ninguém acordou...

Queimaram-se.

Não há pão.

O Zé não abriu hoje.

O pai perdeu a camioneta.

Foi o Vicente que te disse?

Não o senti sair.

Dou sempre por si...

Este miúdo está sempre constipado.

Não apanhas sol,

e no Inverno é sempre a mesma coisa.

Não gosto de sol.

Fico inchado.

Mas tem de ser.

Nasceste antes de tempo.

Eras mais pequenino do que os outros.

Com 2 quilos e 300 gramas!

Não exageres.

Apostamos? Está no meu álbum.

Quanto é que me dás se não for verdade?

Vá, segura.

Éh! Não vale!

Vick, Vick, Vick...

O seu remédio está na mesa.

Sempre cheio de feridas.

Pai...

Pai, então, está com medo?

Já perdeu.

2 quilos e 300 gramas, não se lembra?

Mais salsichas?

Está no álbum.

"Nascido no dia 11 de Agosto,"

"às 5 para a meia-noite,"

"com 2 quilos e 300 gramas". - Deixa-me! Chega de brincadeiras.

A sério. Vai perder...

Faça-lhe a vontade.

2 quilos e 300, está bem!?

Pai...

Vicente...

Estás a crescer depressa demais.

Onde é que o escondeste? Não vês que não tenho tempo?

Como é que o arranjou?

Sabes bem que preciso dele.

- Imagino... - Não imaginas nada!

- Onde é que vai? - A lado nenhum.

Tão teimoso...

Nunca se esquece de nada este miúdo.

2 quilos e 300...

É capaz.

A cor dos olhos, caras, nomes, datas...

- Escuro! - Não tens dono?

- Escuro! - Damos-lhe comida.

Aparece aí.

Escuro, anda cá, toma.

Deixa-te estar, não venhas para o frio.

Quanto tempo é que vai demorar o tratamento?

É o último. Não sei.

É sempre o último.

É muito dinheiro.

Estas doenças são assim.

Não lhe pagam tanto lá no sindicato.

Que fizeste à carta? Leste-a, ao menos?

Só duas linhas.

Não teve coragem para a acabar?

Ainda não és órfão.

Deixa...

Fica com ele.

Não tenhas pena de mim, nem de ti.

- Caíste? - Não é nada.

Senhor doutor

Dê-me comprimidos para dormir...

Flores de todas as cores...

Passear contigo no jardim

Amar é tão bom

Onde é que te meteste? Sabes que horas são?

E a mão pela mão

E o pé pelo pé

O sócio nem te quer ver...

Estiveram aí uns velhos à tua procura.

Disseram que eram teus amigos.

Eu não tenho amigos.

- Estiveram para aí a falar... - Podes dar meia volta.

Ó sócio, o material não está em condições. Os macacos não funcionam...

E querias que eu levasse 5000 cassetes ás costas!?

Não reparaste nas encomendas?

Não vês que é quase Natal?

300 pesetas...

Toma, é Natal.

Tem dores, agora?

Qual é o hospital?

Em Lisboa?

Quem é que trata de si?

Pensou em tudo muito bem, não foi?

Nunca acreditei nessa doença.

Sempre a fingir que está muito mal.

Toda a gente me pergunta se está melhor, quando é que volta...

Estou farto de inventar coisas por si.

Vá à taberna, sente-se lá, vai ver.

Já ninguém acredita, ninguém.

Não vê que o menino está assustado?

Sabe o que lhe dizem lá na escola?

E agora este dinheiro todo.

Donde é que vem?

Desta vez não vai.

Salva-me.

Só confio em ti.

Ainda nos perdemos. Não vejo nada.

É a noite que é má.

Daqui só com o luar vemos o rio.

Como é que sabes?

Não sei, falei por falar.

Vicente...

Não vamos encontrar a vala. É melhor parar.

Não, aqui não.

Vês? Eu bem te disse.

Não lhe toques!

Está frio.

- O fecho... - Nunca fechou bem...

Vicente.

Tem cuidado.

Deixa-o, já te disse.

Não o deixes ir assim.

Clara, que foi?

- Temos de deixar tudo como estava. - Não tenhas medo.

- Partimos uma jarra, ali. - Não faz mal.

Não chores.

Quase não o conhecias.

Não é por ele.

Se nos vêem assim, ainda vão pensar que...

Não digas nada!

Olha, quase dia.

Quando passar a nuvem fecha os olhos.

Agora olha para o sol.

- Que é que tem? - Já não é o mesmo.

O pai viu o álbum?

Fui lá pô-lo ontem. Ganhei, claro.

Que é que disseste na escola?

Nada.

Disseste que o pai se foi embora?

Disse.

Se fechares os olhos assim...

E que mais?

Oh, tudo.

Vocês fizeram tanto barulho ontem.

Nino, o pai não vai voltar.

Não vai voltar como?

Há coisas que é melhor não dizer a ninguém.

Podemos fazer o que quisermos nós os dois.

Mas ele ia tratar-se...

Fica comigo hoje. Faltas.

Vamos à feira.

Nunca mais o vemos?

Porra, porra.

Nino, não tens trabalhos de casa?

Estás triste?

Lá no Tahiti Vive a Ana Maria

Cala-te!

Fica já ali

Na Póvoa da Iria

Aritmética?

Sou bom em contas.

Tens problemas?

Olha, ajudo-te a fazer as contas e tu ajudas-me a arrumar esta tralha toda.

Pronto. À borla. Super máquina de calcular espanhola.

Multiplicar

E dividir

Somar E subtrair

Dá-me prazer Cantar...

Que estás a escrever?

Nada. Uma carta.

Para quem?

Para nós.

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