The first 200 lines.
Parece que dei demasiado crédito a esta turma
por pensar que tinha miolos.
A qualidade do trabalho que tenho recebido
está muito abaixo do que espero dos meus alunos.
O peso do vosso fracasso não é um fardo que eu carregue.
Os meus métodos de ensino foram comprovados vezes sem conta.
Então, digam-me lá, onde é que isso nos deixa?
Bem, a resposta está em todos vós.
O meio mais eficaz e duradouro
de adquirir conhecimento é este…
Experiência.
Proponho uma experiência.
Uma prestigiada revista de psicologia
vai lançar um novo programa de bolsas.
A minha adorável assistente.
Ela dividiu a turma em grupos.
Cada grupo escolherá um tema para o seu projecto.
E depois esses grupos sairão para estudar esse tema em primeira mão.
E não quero ver nenhuma das vossas carinhas pútridas
até ao fim do semestre, quando entregarem
o trabalho sobre o que aprenderam com a experiência.
Os membros do grupo com o melhor projecto
receberão uma bolsa de um ano
para esta instituição de ensino de quinta categoria que todos detestamos.
Portanto…
Grupo 9.
Sim, este é o Grupo 9.
Sou o David Webster.
Já vos vi aos dois nas aulas.
Acho que nunca fomos apresentados oficialmente.
Roman Clepper.
Este é o meu ajudante, Grover Cross.
Não sou ajudante.
Somos mais tipo Batman e Robin.
É a mesma coisa, meu.
Tu és o tal, o menino da professora, não és?
Eu não diria isso.
Não me interpretes mal.
Eu também dava graxa por boas notas se achasse que resultava.
Tenho boas notas porque estudo, não porque dou graxa.
Então a graxa é só por diversão?
Este é o Grupo 9?
Desculpa, meu.
Este é o Grupo 4.
Ele está a brincar.
Sou o David Webster.
Este é o Roman e o Grover.
Stacy Allen.
Prazer em conhecer-vos oficialmente.
Stacy.
Isso não é nome de rapariga?
Grover.
Isso não é nome de um boneco azul peludo?
Não iam começar sem mim, pois não, rapazes?
Olá.
Tiffany Mason.
Eu sei.
Sou o David…
David, Stacy, Roman, Grover.
Podemos avançar?
Espera.
Grover?
Não estás neste grupo.
Como sabes?
Fui eu que fiz os grupos.
Olá.
Este é o Grupo 9, certo?
Chegaste tarde.
Foste substituída.
Vai.
Problema resolvido?
Excelente.
Começamos?
Ei, ei, ei, ei.
Quem te nomeou chefe?
Desculpem.
Olhem, olhem.
Se vamos ter líder de grupo, temos de votar.
Não, tudo bem.
Não, não, não, não.
Nada de amuos agora.
Quem é a favor de eu ser líder do grupo?
Bem, está decidido.
Desculpa, Davey.
Isso são só dois votos.
Somos cinco, e se eu quiser candidatar-me?
Queres candidatar-te a presidente?
Porque, sinceramente, servia às tuas ordens a qualquer altura.
Pensando melhor, retiro a minha candidatura.
Tu é que perdes.
Vamos lá, pessoal.
Esta lista é patética.
Estamos aqui há tipo uma hora e só temos cinco ideias manhosas.
Eu sei que não presto atenção nas aulas, mas pensei que alguns de vocês prestassem.
O que se passa?
Encontraram outro corpo.
Está nas notícias desde esta manhã.
Não vês televisão?
Não.
O que aconteceu?
A polícia encontrou uma corredora ontem à noite.
Tiro à queima-roupa, tripas rebentadas pelas costas.
Ela estudava cá?
Não divulgaram o nome.
Desde que não seja o meu encontro de hoje à noite, tudo bem.
Tu podes não querer saber, mas outros querem.
As pessoas têm medo de sair à noite.
Há muitos psicopatas por aí.
Se precisares de dois tipos grandes e fortes para te levar a casa,
eu e o Roman…
Acho que prefiro arriscar com os psicopatas.
Bem, o Grove tem razão.
É o quinto corpo em três meses.
Dizem que é sempre a mesma pessoa, por isso sabem o que isso significa.
Assassino em série.
Ouvi dizer que encontraram um tipo num parque.
Completamente estripado.
E as entranhas estavam num saco pendurado por cima dele no…
Por favor, chega.
Que tipo de pessoa consegue fazer uma coisa dessas?
Psicopatas, malucos, doidos varridos.
Espera.
E se esse fosse o nosso tema?
Assassinos em série?
A história, as mentes, os processos de pensamento, como chegaram a sê-lo.
Nunca se perguntaram o que transforma um ser humano normal
num assassino a sangue-frio?
Isso seria original.
Exactamente.
É mesmo o que precisamos para ganhar.
Adoro.
Bem, ótimo.
A menos que alguém tenha uma ideia melhor, vamos votar.
Preferes David ou Dave?
Eu…
Não tenho preferência.
Estou a pensar em David.
Dave parece mais seguro, despreocupado, descontraído.
Já me chamaram
muita coisa ao longo dos anos, mas seguro, despreocupado
e descontraído não estão na lista.
Então és da Califórnia?
Sou.
Como soubeste?
Os assistentes têm acesso aos registos para lançarmos notas e essas coisas.
Por falar em notas, já vi a tua média.
Porque raio vieste para a nossa vilazinha
estudar na nossa faculdade ainda mais pequena?
Vá lá.
Agora somos colegas de grupo, praticamente família.
Podes confiar em mim.
É um bocado embaraçoso.
Está bem.
Posso adivinhar?
Não és chegado aos teus pais nem a ninguém.
Odiavas a escola, mas destacavas-te, o que levou às provocações
e ao bullying que suportaste.
Pensaste que uma vila pequena te daria a oportunidade de recomeçar
e deixar o teu antigo eu para trás, tornar-te alguém novo.
Isso é incrivelmente certeiro.
Sim, até tenho lido alguns livros de auto-ajuda,
tipo, como ganhar confiança, ser líder, fazer amigos e…
Eu… nem acredito que acabei de te contar isto.
Não tens de ter vergonha.
Não há vergonha em tentar descobrir quem és realmente.
Mas faz um favor a ti próprio.
Se descobrires o teu verdadeiro eu, aceita-o.
Quem sabe?
Talvez, quando saíres daqui,
tenhas passado de David a Dave.
Além disso, era a única faculdade que eu podia pagar.
Bela casa.
Muito bem, quem começa?
Vamos começar por definir o que é um assassino em série.
Vou arriscar e dizer que é alguém que mata pessoas.
Para sermos exactos, é alguém com três ou mais vítimas.
Matam para satisfazer as suas necessidades.
A vontade de tirar vidas é tão forte como a de comer, dormir ou…
Sexo?
Sem dúvida.
Sim, em muitos casos, a gratificação sexual resulta do homicídio.
Noutros, trata-se de concretizar uma fantasia.
Sexo? Fantasia?
Quer dizer, parece a mesma coisa.
Bem, não necessariamente.
Estas fantasias têm a ver com reviver um acontecimento traumático da infância.
Algo tão horrível que ajuda a moldar aquilo em que esta pessoa,
ou neste caso, este monstro, acabaria por se tornar.
Faz sentido.
Na televisão, quando uma pessoa entra no consultório de um psicólogo,
qual é a primeira pergunta que fazem sempre?
Fale-me da sua infância.
Exactamente.
Falas por experiência própria?
Sim.
Sabes, talvez a terapia te ajude a deixar de ser totó.
Pois.
Então, David, parece que já sabes muito sobre estas coisas.
Devemos preocupar-nos?
Não, comecei a estudar assim que escolhemos o tema.
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