The first 200 lines.
O que comeu?
Levou rações para duas semanas.
Esteve lá dentro quase quatro meses.
Não me lembro de comer.
Quanto tempo lhe pareceu estar lá?
Uns dias.
Semanas, talvez.
O que aconteceu a Josie Radek?
- Não sei. - E a Sheppard?
Thorensen?
Mortas.
Ventress?
Não sei.
O que sabe, afinal?
Isto é uma célula.
Como todas as células, nasceu de uma célula existente.
Por conseguinte,
todas as células nasceram de uma célula.
Um único organismo sozinho no planeta Terra,
talvez no universo.
Há quatro mil milhões de anos...
... uma fez duas, duas fizeram quatro.
Depois oito, 16, 32...
O ritmo do par que se divide...
... torna-se a estrutura de cada micróbio,
folha de relva, criatura marinha e terrestre
e ser humano.
A estrutura de tudo o que vive...
... e tudo o que morre.
Como estudantes de medicina e futuros médicos,
este é o vosso papel.
A célula que vemos é de um tumor.
Uma doente de trinta e poucos anos. Tirada do cérvix.
No próximo semestre,
examinaremos células de cancro in vitro
e estudaremos a atividade autófaga.
- Professora? - Olá, Katie.
Li o texto de John Sulston ontem.
Não estudo o suficiente. Estou a atrasar-me.
- É mais fácil para os outros. - Não é e não estás.
- Está bem? - Lena.
Dan.
Tenho-te procurado ao almoço, mas nunca te vejo.
Ando a pôr a escrita em dia.
Trabalhar demasiado faz mal.
Queria perguntar se tens planos para sábado.
A Sarah e eu convidámos amigos.
Um churrasco, enquanto o tempo não muda.
Já tenho planos.
Será divertido.
Obrigada, Dan, mas vou pintar o nosso quarto...
O quarto.
Já passou um ano.
Podes ir a um churrasco.
Não é uma traição nem um insulto à memória dele.
Vou pintar o quarto.
Meu Deus.
Meu Deus!
Pensei que tinhas morrido.
Kane?
Ninguém sabia da tua unidade.
Contactei toda a gente.
Tantos quanto pude.
Os outros cônjuges sabiam tanto como eu.
Foi secreta?
Talvez.
O que quer isso dizer, talvez?
Pronto, sim. Foi secreta. Acho que sim.
No Paquistão, outra vez?
Não sei onde foi, ou...
... o que foi.
Como é possível?
Estava... calor?
Havia neve?
As pessoas falavam português, suaíli ou afegão?
Quando voltaste?
Não sei.
Como regressaste? Em que base aterraste?
Não sei.
O resto da unidade voltou contigo?
Tens de me poder dizer alguma coisa.
Desapareceste da face da Terra por um ano.
Mereço uma explicação.
O que importa?
Kane...
... como chegaste a casa?
Estava lá fora.
Fora de casa?
Não.
Não, estava fora do quarto.
O quarto com a cama.
A porta estava aberta e...
... vi-te.
Reconheci-te.
O teu rosto.
Não me estou a sentir bem.
Fica comigo, querido.
Estou aqui contigo.
Homem, 31 anos. Hemorragia e convulsões.
Fica comigo, querido. Amo-te.
Olha para mim. Não podem fazer nada?
Pediu uma escolta da Polícia?
Calma!
Saiam da ambulância!
O que estão a fazer?
- Saiam! - Não disparem!
Saiam! Mexam-se!
Saiam!
O que se passa?
O que estão a fazer? Não o movam.
Deixem-no!
Deixem-no!
ÁREA X
Deve sentir-se muito mal.
É a ressaca do sedativo que lhe deram.
Sente-se. Quem é a senhora?
Sou a Dra. Ventress.
Sou psicóloga.
Porque estou a falar com uma psicóloga?
- Estou num hospital psiquiátrico? - Não.
Então?
Onde estou? O meu marido?
Serviu no Exército durante sete anos.
Sou professora da Johns Hopkins.
Quero saber porque estou aqui, caralho!
A sua área de investigação é o ciclo de vida genético das células.
Onde está o meu marido?
Gostava de falar sobre o sargento Kane.
Quando voltou ele para casa?
- Exijo um advogado. - Isso não será possível.
Ele explicou-lhe como voltou?
- Não. - Alguma vez a contactou de fora?
Não.
O que lhe contou sobre a missão quando voltou?
- Nada. - E antes de partir?
Ele mencionou aonde ia, o que fazia?
Não me disse. Não perguntei.
Mas pediu informação com regularidade ao comandante da unidade dele.
Há seis meses atrás, parou.
Porquê? Pensava que ele tinha morrido?
Quis passar adiante?
Não é fácil passar adiante.
Não o fiz.
Não respondo a mais perguntas. É a sua vez.
O seu marido está cá.
Está muito doente.
Com quê?
Falência multiorgânica.
Hemorragia interna grave.
Deve ter sido exposto a algum tipo de radiação,
algum vírus.
Diga-me onde ele esteve e o que fez.
Eu poderia ajudá-lo.
Um acontecimento religioso.
Um acontecimento extraterrestre.
Uma dimensão superior .
Temos muitas teorias.
Poucos factos.
Começou há cerca de três anos.
O Parque Natural de Blackwater informou que um farol foi rodeado
por algo a que chamaram "um fulgor".
Um dos guardas foi lá investigar.
Não regressou.
O acontecimento foi mantido secreto.
Desde então, aproximámo-nos por terra e mar,
enviámos drones, animais e equipas de pessoas.
Mas nada voltou.
E o perímetro está a aumentar, a expandir-se.
Até à data, consumiu terras pantanosas pouco habitadas,
que evacuámos com o pretexto de um derrame químico,
mas isso não durará muito mais.
Daqui por alguns meses, a área alcançará o local onde estamos.
Em seguida, cidades...
... estados...
... e assim por diante.
Disse que nada volta de lá.
Mas algo voltou.
Sim.
Ele está a morrer.
Sim.
Temos de chegar a um acordo sobre o que fazer consigo.
Não me vai deixar ir para casa?
É isso que quer? Ir para casa?
Não.
Quero estar com ele.
Não estás a falar comigo.
Desculpa.
Desliguei.
Pensas na próxima missão?
Não.
Estava a olhar para a Lua.
É sempre estranho vê-la à luz do dia.
Como se Deus se enganasse. Deixou as luzes da entrada acesas.
Deus não cometeu erros.
Tem a ver com Ele ser Deus...
Acho que comete.
Sabes que Ele te está a ouvir agora?
Se contornas o limite de Hayflick de uma célula, impedes a senescência.
Ia agora dizer isso mesmo.
Quer dizer que a célula não envelhece, fica imortal.
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