Первые 200 строк.
Esta série baseia-se em documentos, escutas e interrogatórios policiais
usados em processos judiciais públicos,
depoimentos e entrevistas a participantes adicionais,
e contém reconstituições limitadas de eventos sem registo.
Algumas vozes e imagens foram alteradas para respeitar
proibições do tribunal.
Naquele dia,
tinha um encontro para ir a um jogo de euchre.
Quando estávamos lá, senti uma dor forte na parte de trás da cabeça.
Fomos para casa e foi então que a minha mãe saiu
a gritar para eu entrar em casa.
Quando entrei, a minha mãe disse que a Beverly tinha morrido
e que tinha levado um tiro na parte de trás da cabeça.
E percebi logo que senti a dor dela, quando morreu.
Algumas pessoas guardam memórias dos entes queridos que faleceram,
mas eu só tinha de me ver ao espelho.
MULHER DE RAGLAN MORTA A TIRO
Era uma noite muito fria de dezembro, em 1974.
A vítima era uma jovem inocente morta a sangue-frio.
BALEADA NA CABEÇA COM UMA .22
Parecia claramente um homicídio.
Tinha de ser alguém que ela conhecia.
Começamos a pensar em todos.
"Talvez tenha sido ele."
Algo correu mal
POLÍCIA NEGLIGENCIA-A - GÉMEA QUER JUSTIÇA PARA MULHER ASSASSINADA EM 1974
e o rasto desapareceu.
Esta história teve mais reviravoltas do que qualquer obra de ficção.
Esta noite, um homem está preso,
acusado de matar Beverly Lynn Smith em 1974.
-Gostaria de saber... -O que aconteceu?
-Diz-me tu. -Eu não sei o que aconteceu.
Não fui lá para magoar ninguém.
Temos uma ex-mulher,
um gangue de motoqueiros,
o líder de uma organização criminosa.
Cowboys e ladrões, nenhum limite.
Nunca se sabe o que vem a seguir.
Não matei a Beverly Smith.
Tínhamos um vilão evidente.
Mas tudo descambou rapidamente.
E foi um segredo até agora.
Quem matou a minha irmã e porquê?
Há 47 anos que essa pergunta nos assombra.
Justiça. A Barb precisava de justiça.
Preciso de um nome.
Preciso de alguém para odiar.
O Homicídio Não Resolvido de Beverly Lynn Smith
O homicídio da Beverly Smith.
Vivi 40 e tal anos da minha vida com ele.
Tenho irmãos e irmãs que não me falam
porque já estive preso.
Alguns já não querem perder tempo comigo
porque não sabem as respostas a esta história.
É pena que não consigas perceber que lixaste tudo.
Sê homem e assume a responsabilidade.
Há por aí alguém que sabe alguma coisa.
OSHAWA - ONTÁRIO
Este mistério dura há décadas
e afetou inúmeras vidas.
JEFF MITCHELL - REPÓRTER CRIMINAL E AUTOR
Cubro crimes nesta região há décadas.
Há uma espécie de código aqui e é muito simples.
Basicamente, se te meteres na tua vida, tudo correrá bem.
Se não respeitares o código, é provável que leves um murro na boca.
É uma cidadezinha difícil.
Houve dificuldades económicas aqui.
Oshawa não é conhecida
por ser o melhor sítio para viver.
Algumas pessoas chamam-lhe Shwiggity e tem todo o género de alcunhas.
A Shwa. Oshawa tem uma alcunha, é a Shwa.
SHAW SUJA
Obviamente, há outros homicídios por resolver.
No entanto, este tem sido como andar numa montanha-russa.
E o Alan Smith tem sido crucial para esta narrativa desde o início.
Mas quem raio é o Alan Smith, certo?
O Al sempre pareceu um pouco inadaptado.
Era um dos muitos miúdos no bairro com quem andávamos.
O Al tinha nove irmãos e irmãs.
Lembro-me da irmã do Al, a Mary.
MARY DUMOULIN - IRMÃ DE ALAN
Diria que ele teve uma vida muito difícil,
mas talvez algumas coisas tenham sido provocadas por ele.
Não vejo o Al desde os anos 60.
Não sei como ganhava a vida nem para onde foi.
Ele desapareceu da face da Terra.
Conhecendo-o em adolescente, em criança,
e depois o caso de homicídio...
Nunca adivinharia que seguiria esse caminho.
O Alan era um sonhador.
Ele dizia: "Mary, um dia, vou ter uma empresa de paisagismo
"e vou ter pessoas a trabalhar para mim."
Também queria ter uma casa de campo.
E só queria um barco, num sítio agradável e tranquilo.
Ele dizia-me sempre: "Mary, quando tiver esse sítio,
"levo-te num fim de semana e vamos passar o tempo a pescar."
Ele adora pescar. Se pudesse, pescaria 24 horas por dia.
FEVEREIRO DE 2009
35 ANOS APÓS O HOMICÍDIO DE BEVERLY
O Alan ligou-me e disse: "Não vais acreditar no que aconteceu."
Eu disse: "O quê?" Ele disse: "Ganhei uma viagem."
Ganhei um concurso. Nunca tinha ganhado nada, mas ganhei isto.
Era para fazer uma viagem de pesca no gelo no lago Simcoe.
A decisão era óbvia para mim, sendo pescador de gelo.
Sendo pescador, ponto.
Depois da viagem de pesca,
ele falou-me de um amigo que tinha conhecido.
Chamava-se Danny.
Estava muito feliz por ele ter finalmente encontrado alguém
que gostava das mesmas coisas que ele.
Porque o Alan era solitário.
Nesta fase da sua vida, o seu casamento tinha acabado.
Houve alturas em que a mulher dele o acusou de ser abusivo.
Os problemas dele com o álcool e drogas
estavam no centro de todos estes problemas.
Além disso, ele esteve preso.
Por isso, não tem amigos, dinheiro nem trabalho.
Está praticamente na miséria.
Ele conhece o Danny e dão-se bem.
Estava muito feliz por ter conhecido um novo amigo
que gostava tanto de pesca e do ar livre como eu.
Falavam de tudo, desde remodelações no apartamento na cave do Al
a jardinagem.
Falavam das experiências deles.
E o Danny estava sempre disposto a ouvir.
Depois, o Danny traz um pouco de intriga à vida do Al.
O Danny era carpinteiro,
mas também, à margem,
mencionou que fazia uns biscates para ganhar uns trocos
a vender erva de vez em quando. Não é problema nenhum.
O Al ficou logo interessado porque,
para além da pesca,
uma coisa que o entusiasma é a marijuana.
Por fim, o Danny apresentou-o ao seu amigo Jack.
O Jack era o líder de uma organização criminosa.
Tinha casas de luxo no Sul,
tinha uma casa de campo, tinha tudo.
O Jack era o chefe da máfia.
Era o manda-chuva.
Tinha contactos, movimentava muita droga,
é um cavalheiro que não queremos ter como inimigo.
O que ele dizia, acontecia.
O Danny não é nenhum anjo.
Quem anda com o Danny não é um anjo.
Ele disse que o Al era porreiro,
por isso, pensei em dar-lhe trabalho e pôr-lhe algum dinheiro no bolso.
O Danny recebia as instruções do Jack para ir fazer vários trabalhos
e eu ia com ele.
JUNHO DE 2000 QUATRO MESES DE AMIZADE ENTRE ALAN E DANNY
O Danny e eu começámos a ir com ele em entregas de coca.
Pagava-me alguns dólares para estar de vigia e assim.
O Million Dollar era um clube de strip.
Eu ia lá há anos.
Não conhecia estes dois tipos. Eles queriam fazer uma compra,
por isso, disse ao Danny para lhes levar um pacote
e mandei o Al entrar para garantir que não lhes batiam
nem lhes roubavam a coca.
Ele fez exatamente o que lhe pedi e não se importou.
Acho que lhe dei uma nota de 100 dólares,
paguei-lhe uma lap dance e cervejas.
Para o Al, isto é ótimo a vários níveis.
Ele ganha amizade, associa-se a um círculo de pessoas
e também começa a ganhar algum dinheiro.
Mas, na altura, a polícia estava a realizar escutas telefónicas
e eles não faziam ideia.
Não te importas de fazer esta merda, esta coisinha por mim?
Não.
Mais tarde, o Danny disse-lhe que, se o Jack o envolveu,
é porque começava a aceitá-lo.
Parece que está a gostar de te ter no seu grupo.
-Isso é bom. -Sim.
Não tenho problema nenhum.
Ele gosta do facto de aparecermos.
Fazemos o que ele pede sem fazermos perguntas.
Mas o mais importante é ser sincero.
Ele pergunta: "Aquele céu é azul?" Tu dizes: "É azul."
Está bem. Diz só a verdade.
De repente, ele tinha um novo melhor amigo, algo que procurara
toda a vida,
e tinha dinheiro, coisa que nunca tinha tido.
E, depois, intensifica-se um pouco.
O Jack dá ao Al e ao Danny um grande saco de dinheiro
e uma caçadeira.
TORONTO - ONTÁRIO
É dia de pagamento, por isso, preparem-se para a ação.
-Lembram-se dos tipos da semana passada? -Sim.
-Vamos fazer uma maior, hoje. -Está bem.
Está bem? Eles estão ali sentados num BMW preto.
Está bem, sim.
São os mesmos tipos a quem vendemos no Million Dollar.
Dois quilos de cocaína por 90 000 dólares.
Muito dinheiro e coca, não queria ser roubado.
Levei uma caçadeira, dei-a ao Danny e disse:
"Protege-o, meu."
Estão dois na câmara. Basta puxar o gatilho.
Por precaução, está bem?
E também te protege, quando estiveres a ir e vir.
Mantém essa coisa apontada a ele.
Claro que sim.
Quando o Al voltou com o dinheiro, disseram-lhe para o contar.
No comments yet. Be the first to leave one.