The Third Lover

The Third Lover (L'Œil du Malin)

Muat Turun Sari Kata Portuguese

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Diterbitkan pada: 2022-02-15
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200 baris pertama.

Eu usava o nome Albin Mercier, mas chamo-me André Mercier.

Sob o nome de Albin, assinava os meus artigos e livros.

Era escritor, mas tão menor que quase só eu sabia disso.

Não há muito tempo, estive na Alemanha, na Baviera, perto de Munique,

enviado por um modesto jornal parisiense.

Eu devia escrever artigos sobre a vida quotidiana na Alemanha,

nosso inimigo de ontem, nosso aliado de amanhã.

Pagavam-me mal, mas que importa?

Eu não podia queixar-me.

Ofereciam-me alojamento, mas eu pagava à mulher da limpeza.

Eles tinham-me provido.

- Uma cortina, seis guardanapos. - Três chávenas.

- Uma mesa, uma toalha de mesa… - Quatro cadeiras.

- Quatro pratos de sopa, seis pratos… - Um tacho, uma base…

- Três panelas, três panos da louça. - Uma colher de pau, uma taça…

- Seis pares de talheres. - Um ferro, um fogão.

- Uma chaleira. - Uma bacia, um frigorífico…

… um armário de cozinha…

Uma tábua do pão.

Não era sumptuoso, mas adequado.

Triste como a morte.

Quatro almofadas, um colchão.

- Uma colcha, uma mesa de cabeceira. - Dois cobertores.

Um candeeiro.

- Um naperon rendado, um cinzeiro. - E outra imagem de um santo.

Um cadeirão.

- Quatro lençóis. - Uma cadeira.

Duas cortinas duplas, duas cortinas de renda.

Um roupeiro com espelho.

Sentia-me amargo e contente.

Se bem que… mais amargo do que contente.

Passei os dois primeiros dias a deambular pela aldeia.

Era um microcosmos agradável,

alguns operários, agricultores, muitos proprietários.

Pessoas de Munique que vinham passar férias.

Belas casas de fachada aberta, para que os passantes as admirassem.

Eu sentia-me só.

Ninguém me olhava, nem falava comigo.

Tinha a impressão de estar num deserto.

Eu odiava aquelas casas.

Sentia-me um prisioneiro.

Eu disse que falava alemão para conseguir o trabalho,

mas não era verdade.

Eu não falava uma palavra.

Eu era deplorável.

Apenas uma coisa me atraía.

Era um belo muro que protegia a intimidade de um casal.

Descobri junto da minha empregada da limpeza

que o muro albergava o famoso Dr. Hartmann.

Hartmann! O mais brilhante escritor da sua geração,

a esperança da Nova Alemanha.

Aproximei-me para ver aquela ave rara.

Tens o meu chapéu?

Sim, querida, aqui tens!

Sim, foi. Caminhámos e cantámos.

Um palhaço.

Mas parecia ser simpático.

Perguntava-me como podia vir a conhecê-lo.

Enquanto isso, tinha de justificar o salário miserável.

Tudo me aborrecia, eu escrevia à toa.

A mulher da limpeza algaraviava as suas queixas.

Resmungava sem parar.

Faltava-lhe sempre algo para a cozinha e eu não percebia nada.

Tive de fazer de palhaço nas lojas.

Um diálogo de surdos interminável.

Até ao dia em que a sorte me sorriu.

Ela falava francês.

Ela era francesa.

Eu devia ter adivinhado, era a mulher do Hartmann.

Tive astúcia que chegue para me fazer convidar.

Ela chamava-se Hélène.

Um nome bonito.

Avisaram-me da sua presença, senhor…

Mercier, Albin Mercier. Como assim?

Todas as aldeias são parecidas.

A chegada de um forasteiro…

Pensei que ninguém reparara em mim.

Vá lá, o senhor foi observado.

- Só falamos do senhor. - Que honra!

Com licença.

Espere.

- Já está. - Magnífico!

Sabe, sou um grande admirador do seu marido.

É muito amável.

Estou certa que ele adorará conhecê-lo.

- Céus! Porquê? - Também escreve, não é?

Sim, como sabe? Não me diga que leu os meus livros.

Não li, mas estou certa que são excelentes.

Venha tomar café esta tarde.

Estou confuso.

Não esteja. Se o convido, é porque seria um prazer.

Se não quiser vir, pode recusar o convite.

Estou impressionado.

Para mim, seria um grande prazer…

- Uma honra? - Uma honra.

Não sei como lhe agradecer.

Às 14 horas?

- Posso deixá-la nalgum lugar? - Não, obrigada.

Gosto muito de caminhar. Adeus, até logo.

Eu conseguira.

Sem problemas, muito naturalmente, eu ia entrar na vida deles.

Olhar… ver.

Com naturalidade, fui a casa deles,

como uma visita habitual, um velho amigo.

Diverti-me imenso, dado que tive de improvisar.

Eu nunca lera um livro do Hartmann.

À primeira vista, a casa agradou-me.

Senti-me em casa. Achei tudo tranquilo e à vontade.

Era tudo de um gosto requintado.

Andréas Hartmann.

Li um dos seus livros. Muito interessante.

Tínhamos o mesmo nome,

mas o meu subterfúgio impedia-me de o confessar.

Com prazer, querido.

O André sugere tomar o café lá fora.

Muito bem!

Quanto mais eu estava com eles, mais à vontade eu ficava.

Tratavam-me como um velho amigo.

Isso quase me incomodou.

Ficas feliz por poderes falar francês melhor do que comigo?

Sim.

Ele fica feliz por eu poder falar francês consigo.

Ele não tem muito jeito.

- A sério? - Sim.

Terrível!

Obrigado.

Elsa, um instante!

Álcool, conhaque?

- Conhaque, por favor. - Traga-nos conhaque, por favor.

Um conhaque?

Eu adoraria, meu amor.

Conhaque…

Conhaque… conhaque!

Francês.

Espantava-me a capacidade magistral

daquele homem e daquela mulher de repartir as tarefas da conversa.

Um milagre da inteligência!

Tiravam partido de problemas linguísticos que se tornavam um jogo.

Completavam-se, sorriam constantemente,

felizes por viver, por viverem juntos naquela casa.

Por estarem ali, comigo, a falar de coisas que lhes interessavam.

Tratavam-me com uma enorme cortesia,

o que me dava o prazer de partir à descoberta deles.

Tinha ali uma imagem espantosa da felicidade,

tão rara e tão preciosa,

que ao meu próprio prazer se misturava sinuosamente um desconforto,

uma tensão de todo o meu ser.

Estou num ponto em que não sei que palavra há de seguir a anterior.

Mas o que importa é que seja útil à causa europeia.

Eu agradava-lhes, isso era certo.

O André pensa que é a melhor técnica para abordar tal tema.

Sim.

Despedimo-nos só no fim da tarde, ainda cheios de riso,

prometendo muitas mais visitas.

Mas uma catástrofe iria ensombrar aquele dia agradável.

A mulher da limpeza, aquela idiota…

Não teve o bom senso de desligar a água.

Tive de fazê-lo eu.

Ela só tinha que limpar agora.

Olá! Olá, Sr. Mercier.

- Tudo bem? - Sim.

Adeus!

Olá, Sr. Mercier.

Via-os de longe, um pouco todos os dias. Às vezes ela, às vezes ele.

Trocávamos algumas palavras amáveis.

Devo ter causado boa impressão, pois voltaram a convidar-me.

Para jantar, desta vez.

Apareci com um imponente ramo de flores, no limite do excessivo,

mas sem ser excessivo.

Elas são realmente magníficas.

Escolheu admiravelmente bem.

Devo confessar que não fui eu que as escolhi.

Não, mas escolheu quem as escolheu.

O André dir-lhe-á que é a mesma coisa.

Meu Deus, que teoria terrível!

Ele sabe.

E o que é que eu sei?

Hartmann decidira ser ele a cozinhar o jantar.

Sem dúvida para me mostrar que, apesar de famoso, era simples.

Mas eu achei-o ridículo.

A mesma coisa.

O jantar foi simples e delicioso.

E foi um pouco depois,

sentado num maravilhoso sofá da sala,

a degustar o seu delicioso conhaque,

que tive pela primeira vez o sentimento monstruoso

que iria guiar a minha vida a partir daquele momento.

Sou um falhado, talvez. É a minha opinião,

mas ninguém me pode acusar de me iludir a mim mesmo,

de viver de sonhos impossíveis, de mentir a mim próprio.

Desde o instante em que o senti, consegui analisar esse sentimento

com uma perfeita lucidez.

Não eram ciúmes, pois isso não entrava no meu coração,

nem qualquer sensação de injustiça ou amargura.

Era mais…

… uma espécie de inveja,

mas tão completa,

tão total, tão absoluta e imersiva,

que eu sabia que ela me levaria à violência.

Assim, eu percebi claramente

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Komen

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