Jim Jefferies: High n' Dry

Jim Jefferies: High n' Dry

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Jim Jefferiesgh and Dry 2023 1080p WEBRip x264-RARBG
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🟩 𝑶𝒇𝒇𝒊𝒄𝒊𝒂𝒍 𝑺𝒖𝒃𝒕𝒊𝒕𝒍𝒆𝒔 🟩 - Legendas: Rui Fernandes

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Pubblicato il: 2023-02-14
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Le prime 200 righe.

Deem as boas-vindas ao palco

a Jim Jefferies!

Olá, Toronto.

Ora bem!

Vejam bem isto!

Saímos todos de casa.

Sem as putas das máscaras!

Odiava as máscaras.

Sabem quem vai ter saudades das máscaras?

Gajas boas com caras de merda.

Passaram a pandemia toda a faturar.

Na Austrália, chamamos-lhes "camarões"

porque comemos o corpo e deitamos fora a cabeça.

Acabei uma digressão pela Austrália, o país está todo inundado.

Sabiam?

Lembram-se de, há três anos, o país estar todo a arder?

Lembram-se? Antes da Covid, a Austrália estava toda em chamas

e nós dizíamos: "O mundo não pode piorar."

Morreram pessoas.

Perderam as casas.

Mas nas notícias americanas sobre o fogo

- na Austrália, só falavam... - Dos coalas.

Os coalas, exatamente.

Vocês pareciam todos muito preocupados com os coalas.

Aliás, quando me viam, diziam sempre:

"Lamento imenso o que aconteceu aos vossos coalas."

E eu dizia...

"Estamos todos destroçados."

Como é que tinham tão boa imprensa?

Imaginem que são um vombate, e a vossa família morreu queimada.

Eu gosto tanto de coalas como vocês...

... mas se há animal que merece morrer,

é o coala.

O coala é o animal mais preguiçoso da Terra.

Dorme 22 horas por dia.

A preguiça só dorme 21.

Só come folhas de eucalipto.

Usa folhas de eucalipto como única fonte de comida e água.

As folhas de eucalipto têm um químico que lhes provoca o mesmo efeito

que a canábis provoca a nós.

Ou seja, passam o dia inteiro pedrados.

Oitenta por cento dos coalas têm clamídia.

Portanto estão pedrados, com clamídia...

Todos temos um amigo assim.

E estão empoleirados na árvore, com a família,

ali parados...

enquanto o fogo devasta o mato australiano.

E todos os outros animais correm e saltam

na direção oposta às chamas.

Mas o coala não.

"Está a ficar calor."

"Deve ser só da clamídia, querido, dorme."

E depois, quando temos estes desastres naturais,

como é que a nossa sociedade lida com eles?

Arranjamos uma miúda sueca com um tique no olho para ralhar connosco.

O raio da Greta sobe ao palanque e diz:

"Eu devia estar na escola..."

Eu sei que, assim que menciono a Greta Thunberg,

isso acende o rastilho de muitas mulheres.

Há muitas que ficam irritadas quando um homem da minha idade fala dela.

Ficam logo com o cérebro às voltas,

a pensar: "Como te atreves a embirrar com uma miúda de 16 anos?

Quem é que tu julgas que és?"

E sabem que mais? Têm razão. Isso é inaceitável.

Mas ela já tem 19 e eu esperei, caralho.

Esperei três longos anos para falar desta merda.

Posso dizer o que quiser sobre alguém com 19 anos.

Tomem lá mais esta:

até posso foder a Greta Thunberg e não fiz nada de mal.

E nem usava preservativo.

Por uma questão de respeito por ela... e pelo ambiente.

Agora...

... eu, no fundo, não tenho nada contra a Greta.

Aliás, até concordo com tudo o que ela diz.

Concordo com a ciência.

Mas não quero ouvir essa merda.

Está sempre a embirrar com a minha geração.

Tipo: "A vossa geração estragou tudo à minha geração."

Não foi a minha geração, Greta.

Estás a pensar nos cabrões que vieram antes de mim.

A geração antes da minha não fez a ponta dum caralho.

A minha geração inventou caixotes do lixo às cores.

Não posso fazer mais, Greta.

Esgotei as forças a fazer caixotes do lixo às cores.

A geração antes da minha tinha um caixote e deitava tudo para lá.

Estavam-se a cagar.

E era mínimo, de metal,

como o caixote de lixo do Oscar na Rua Sésamo.

E tinha uma tampa que saía completamente.

Porque essa geração era tão estúpida...

... que não lhes ocorreu pôr uma dobradiça,

para a tampa e o caixote serem o mesmo objeto.

Talvez tenham falado sobre isso na fábrica dos caixotes.

Alguém sugeriu a ideia da dobradiça:

"Acho que devíamos pôr uma dobradiça."

E depois um deles pôs a mão no ar. "Sim, Nevil?"

E o Nevil diz:

"Mas e se um miúdo quiser usar a tampa como escudo?"

"Com essa é que me lixaste, Nevil.

Não quero dar cabo da magia da infância,

esqueçam a dobradiça."

E depois, na recolha do lixo...

A empresa do lixo fez o favor de pôr duas pegas,

duas pegas metálicas, nos lados do caixote.

Portanto tínhamos duas opções no dia da recolha.

Podíamos puxar o caixote por uma pega

e arrastá-lo para fora de casa, com faíscas a saltar por todos os lados,

até chegar ao passeio

ou então...

podíamos levantar o caixote pelas duas pegas e encostar o lixo molhado

ao nosso corpo,

e cambalear até ao passeio,

assim.

Porque essa geração era tão estúpida...

... que não lhes ocorreu pôr a primeira invenção da humanidade

no fundo da merda do caixote.

Olharam...

para um objeto pesado

que tinha de ser transportado com frequência

e não pensaram: "Caralhos me fodam, rodas vinham mesmo a calhar."

Perderam várias oportunidades destas.

Não tínhamos rodas nas malas

praticamente até ao meio dos anos 90.

Ninguém tinha malas com rodas. Lembro-me de ver o meu pai no aeroporto

com dois sacos, mais um debaixo do braço,

como quem diz: "Não há maneira melhor de fazer isto."

Fomos até ao aeroporto numa merda dum carro.

Ele viu rodas em movimento.

Tinha as mãos no volante, outra roda, mas não juntou dois e dois.

Só em 1971.

1971 foi o primeiro ano em que chegou ao registo de patentes uma patente

para uma mala com rodas.

1971 foi o primeiro ano em que alguém neste planeta

teve a ideia...

de pôr rodas numa mala.

Para contextualizar a coisa,

fomos à Lua nos anos 60.

Isso significa que o Neil Armstrong saiu de casa...

... e disse à mulher:

"Da próxima vez que me vires,

vou estar na Lua."

Quando chegou à plataforma de lançamento, olhou majestosamente para o foguetão...

"Um dia...

... um dia vamos ter malas com foguetes."

Ora bem...

vamos contar umas histórias.

A primeira história

mete o meu amigo DJ Qualls.

Talvez o conheçam como o magricela do filme Road Trip - Sem Regras,

ou do Hustle & Flow, ou, melhor ainda, como o Billy da série Legit.

Certo? Portanto...

Portanto, o DJ... o DJ é gay.

Certo? Eu posso contar a história, ele sabe.

Ele está a par. E, já agora,

se houver pessoas gays na plateia de hoje, sejam bem-vindas.

Eu sou...

... um grande fã da comunidade gay.

Sempre fui pró-gay.

Estudei teatro musical na universidade.

Cresci em Sydney, uma das cidades mais gay do planeta.

Eu e os gays somos unha com carne.

Aliás, eu diria mesmo que sou um defensor deles.

Eles não concordam.

Gosto dos gays. Gosto da comunidade LGBTQ.

Gosto deles todos!

Gosto das L, dos B, dos G, dos T e dos Q.

Em igual medida. Nem sequer tenho um preferido.

Gosto de todos igualmente.

Apoio-os todos igualmente.

Como grupos individuais.

Não os apoio como grupo coletivo.

Porque não têm a ponta de um corno em comum.

Temos um gajo que diz: "Eu cá gosto de chupar pilas!"

E outro que diz: "Eu quero cortar a minha!

Devíamos formar um grupo!"

O que nos leva às pessoas... trans.

Ouçam, é um tema quente na comédia. Há muita gente a falar disso.

Eu trabalho com pessoas transexuais há 20 anos,

neste ramo. Não tenho o mínimo problema com pessoas trans.

Acho que deve ser uma vida muito difícil. Se existisse uma operação

que eu pudesse fazer para deixar de me odiar, fazia-a já.

Por isso compreendo, não é uma escolha fácil. Certo? E depois...

Não tenho o mínimo problema com pessoas trans,

e depois vejo cómicos como o Chapelle e o Gervais,

que contaram aquelas piadas, e...

Ficou toda gente ofendida, houve imensas notícias...

E eu não tenho o mínimo problema com pessoas trans.

Mas adoro ser notícia.

Portanto, vamos a isto!

Como disse, gosto de pessoas trans. Quem saber porquê?

Porque gosto de pessoas com uma boa história.

Se estiver numa festa e me disserem que cortaram a pila,

têm a minha atenção.

Vou ficar a conversar com vocês.

Cheira-me que têm umas histórias para contar.

Consigo ter uma empatia completa com uma pessoa trans?

Tento, mas no fundo é impossível.

Porque nunca vou saber como é

odiar o corpo em que vivo, portanto... Esperem, afinal sei.

Eu...

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