Le prime 200 righe.
Estúdios Abbey Road
Chamo-me Mary.
Os Estúdios Abbey Road fazem parte da minha vida, desde que me lembro.
Sinto uma certa magia, sempre que caminho por estes corredores.
Não me lembro da primeira vez que cá vim.
Esta sou eu no Estúdio Dois. Uma foto tirada pela minha mãe, que era fotógrafa,
e fazia parte de uma banda com o meu pai.
Quero contar a história de algumas das gravações icónicas
que foram aqui feitas ao longo das últimas nove décadas.
De música clássica, ao pop e a bandas sonoras para o cinema.
Uma das razões pelas quais quis fazer este documentário
foi por me lembrar de ver uma foto da mãe a atravessar a passadeira com o Jet.
- Sim! - Lembras-te disso?
Sim! Claro que sim.
O que aconteceu foi que nós vivíamos aqui perto, como sabes.
E tínhamos um pequeno pónei chamado Jet.
E ela gostava tanto de cavalos
que, quando vínhamos cá fazer alguma coisa, ela trazia o Jet.
Portanto, há uma foto dela… com ele a atravessar a passadeira.
E ele veio ao estúdio. Acho que não se portou mal.
Jet!
ESTÚDIO DOIS, 1974
Nunca me vou esquecer Das caras engraçadas deles
Quando lhes disseste Que te irias casar em breve
E o Jet
Pensei que o único lugar solitário Era na Lua
Jet!
Voltaste cá com os Wings?
Lembras-te de tomares a decisão e de pensares:
"Podia ir a qualquer lugar, mas vou fazer esta próxima fase
na minha carreira musical nos mesmos estúdios"?
Sim.
Em Londres, tínhamos usado outros estúdios além de Abbey Road.
Mas sempre gostámos mais destes.
ESTÚDIO DOIS, 1974
Portanto, quando quis gravar com os Wings, pensei:
"São os melhores estúdios. Sei como são. Conheço muitas daquelas pessoas."
Muitas das pessoas ainda cá estavam. Muitas ainda cá estão.
Bem, eu nunca me farto Dessa doçura
Que tem a minha miúda
Pois é
São estúdios fantásticos.
Os microfones funcionam todos.
Parece ridículo dizer isto,
mas há certos estúdios onde isso não acontece.
Portanto, foi fantástico. Foi bom voltar a casa.
Sim, sim, sim
Sim
SE ESTAS PAREDES CANTASSEM
Entrar pelos portões, junto à passadeira,
nunca é cansativo.
E quando passo de carro, olho para os grafítis e penso:
"Atravessar aquela passadeira é mágico. Aqui, fez-se magia."
Há história. Sentimo-la em todas as paredes.
Neste momento, há um miúdo algures
cujo sonho é entrar aqui e tocar uma música.
E não podemos deixar esse sonho morrer. Nunca. Não podemos.
É algo muito espiritual.
Sim, é impressionante.
Espero que permaneçam aqui durante milhões de anos.
São um tesouro nacional, certo? Entendem?
Na primeira vez que cá estive,
senti uma certa realização por ter alcançado algo
com o qual tinha fantasiado, quando era criança, no meu quarto.
Penso em Abbey Road como sendo
uma espécie de mãe da música que aqui foi tocada.
Tratou de preservá-la para nós.
Acolheu-a com a sua acústica pessoal.
Portanto, é uma dádiva para nós.
Nós usamo-la. Achamos que a alugamos.
Mas é algo mais espiritual do que isso.
No dia 12 de novembro de 1931,
Sir Edward Elgar vai inaugurar um estúdio de gravações invulgar.
O respeitado compositor é um apoiante do novo sistema de gravação.
E prepara-se para gravar a sua obra diretamente em disco…
- Prontos? - … com a Orquestra Sinfónica de Londres.
Certo.
ESTÚDIO UM, 1931 POMPA E CIRCUNSTÂNCIA, MARCHA N.º 1
Há três anos, a Gramophone Company
adquiriu o n.º 3 de Abbey Road em St. John's Wood, Londres, em leilão.
A moradia isolada com nove quartos, cinco salas,
aposentos para os empregados e um grande jardim nas traseiras,
foi convertida nos maiores e melhores equipados estúdios do mundo.
Um disco de cera.
O disco-mestre a partir do qual serão produzidos milhares de cópias
para serem ouvidas no mundo inteiro.
PRESIDENTE DA EMI, 1954 - 1974
Quando eu cheguei,
a empresa estava a perder meio milhão por ano.
O negócio das gravações de música clássica não dá dinheiro.
E comecei à procura de quem tínhamos no ramo
que percebesse de música pop.
A MEXER E A ENTRAR NO RITMO
Cantava dos tempos da escola.
Portanto, tinha uns 14 ou 15 anos.
E gravei o meu primeiro disco em Abbey Road aos 17 anos.
Fizemos uma audição com o Norrie Paramor,
que era um produtor da EMI.
Foi a primeira vez que tocámos a música "Move It" para ele ouvir.
Ficámos muito animados por podermos estar num estúdio.
E num dos estúdios de Abbey Road.
Na verdade, o Estúdio Dois tornou-se a nossa casa, durante muitos anos.
Vamos, menina bonita Toca a mexer e a entrar no ritmo
ESTÚDIO DOIS, 1958
Abana, querida Abana
Querida Não percas o ritmo
É este o ritmo que entra No teu coração e alma
Deixa-me que te diga, querida Chama-se rock and roll
Abbey Road deu vida ao rock and roll , penso eu.
Porque estava na dianteira de uma das maiores mudanças musicais.
Acredito que, historicamente,
o rock and roll foi a maior, a mais rápida e a mais duradoura mudança.
A verdadeira música country Que apenas segue caminho
Sim, querida Mexe-te
Em 1950,
a venda de discos na Grã-Bretanha totalizava apenas 3,5 milhões de libras.
Em 1960, esse número tinha aumentado para 15 milhões de libras.
A maior empresa é, sem dúvida, a EMI, a Electric and Musical Industries,
que vende quase metade de todos os discos.
Entre as editoras da EMI estão a Parlophone, a HMV e a Capitol.
EMI é a maior editora discográfica do planeta.
O presidente, Sir Joseph Lockwood, encara a concorrência de forma realista.
Bem, não há regras. A concorrência é absolutamente incrível.
E qualquer pessoa que ache que este é um negócio fácil, devia vir experimentar.
IDENTIFICAÇÃO DA MARINHA
PRODUTOR
Comecei na indústria das editoras em novembro de 1950.
Tinha estudado na Escola de Música Guildhall,
e convidaram-me para uma entrevista nos Estúdios da EMI.
Surpreendentemente, para mim,
deram-me um cargo de poder na Parlophone,
e o Joe Lockwood disse-me:
"És o mais jovem diretor de uma editora que já tivemos. Tens de ter sucesso."
Portanto, comecei logo à procura de algo.
Comecei à procura de algo como um Cliff Richard.
EM BUSCA DO PRÓXIMO CLIFF
Os The Beatles já estavam com a Decca, gravaram um disco, mas não o lançaram.
PRODUTOR
E o Brian Epstein veio falar com eles, como último recurso.
Mesmo. Já tinha falado com toda a gente.
E o meu pai gostou do Brian. O Brian era um homem muito simpático.
Disse-lhe: "Talvez os possa trazer cá."
Pois, então, viemos cá e o George Martin chegou.
Disse: "Certo, rapazes. O que vamos fazer?" Sabes?
Ele não os achava grande coisa.
Mas gostava de conviver com eles.
Também olhava para eles a pensar:
"Certo, qual deles é o Cliff e quem são os The Shadows?"
ESTÚDIO DOIS, 1962
E ouvi-os tocar.
As músicas que me mostraram não eram muito boas.
"Love Me Do" foi a melhor que encontrei.
O George era incrível.
Não há mais nada a dizer além de: "O George era incrível."
E nós éramos amadores. Ninguém sabia escrever ou ler música. Éramos amadores.
Tivemos um pequeno sucesso com "Love Me Do".
Depois, mais tarde, lançámos a "Please Please Me".
O que estás a fazer?
Só… É horrível. Não sou capaz.
Não aguento. Faço só… Sinceramente…
Não acerto uma.
E o George Martin não ficou muito impressionado.
E disse: "Podem fazer isso mais rápido?"
E todos dissemos: "Não."
Bem, não dissemos.
Não. Pensámos: "Não." Mas dissemos: "Sim."
Vamos ao take sete.
ESTÚDIO DOIS, 1962
Ontem à noite Disse estas palavras à minha miúda
Não ficámos impressionados,
mas ele disse: "Esse será o vosso primeiro número um."
E ele tinha razão.
Vamos, vamos Vamos, vamos
Vamos, vamos Vamos, vamos
Por favor, satisfaz-me, sim Como eu te satisfaço
Quando tivemos êxito com "Please Please Me",
eles despertaram como compositores.
Seguiu-se "From Me To You", "She Loves You" e por aí fora.
Cada uma delas era uma ótima canção.
E percebi desde cedo que precisávamos de um álbum, e depressa.
Foi em fevereiro de 1963 que fizemos o álbum.
E foi feito num dia.
UM ÁLBUM NUM DIA
Fazemos no segundo verso?
Sim.
Sim?
Chegámos cedo. Montámos tudo. Preparámo-nos.
E, depois, tocámos tudo o que sabíamos.
Os engenheiros de som, no piso de cima, faziam as misturas.
Bem, toca a agitar, querida
ESTÚDIO DOIS, 1963
- Agita, querida - Revira e grita
Eles faziam as misturas enquanto trabalhavam.
Sabiam o volume a que deviam estar a bateria e o bombo,
portanto, tinham tudo nivelado.
Na verdade, naqueles tempos, chamavam-lhes "engenheiros de níveis".
A ideia é gravar a banda como num concerto ao vivo.
São eles, diretamente do Cavern Club para Abbey Road.
Exigi muito deles.
E gravei-os quase como… Como uma emissão, entende?
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