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22H41
Continuo desperta. Deve ser da pressão.
E se não conseguir relaxar?
Eu fecho os olhos e imagino que estou num banho de imersão.
Detesto banhos de imersão. Ficas na tua porcaria, como um hipopótamo.
É por isso que tomo sempre um duche depois.
Isso é ridículo.
Assim demoras o dobro do tempo. Porque não tomas um duche?
Porque gosto de banhos e de estar na minha porcaria.
Não admira que não haja água quente para mim de manhã.
- Parabéns por fazeres isto. - Não, eu quero fazê-lo.
- Bem, vemo-nos amanhã. - Sim.
- Boa sorte. - Obrigada.
Pronto.
Vou ter saudades tuas.
Claro, porque sou incrível.
E vais pagar a próxima conta da água.
É justo.
- Boa noite, Veg. - Tem uma boa noite.
- Desculpe. - Anda lá.
Não tenho o dia todo.
Obrigado.
- Olá. - Olá.
- Lisa Osgood. - Muito bem.
CLÍNICA DO SONO
Pode preencher isto, por favor?
Obrigada.
- O seu quarto é por aqui. - Obrigada.
Quer beber alguma coisa?
Matava por um vinho branco.
- Acho que não... - Brincadeira. Não quero nada. Obrigada.
Obrigada.
Certo. É boni...
Uma pergunta. Quando tomas banho, tomas duche a seguir?
Não. Ia Demoraria o dobro do tempo. É de loucos.
Obrigada. Foi o que eu disse. Queria uma segunda opinião.
Deixa-me ver o teu quarto. Como é?
Consegues imaginar o caixão do Buzz Lightyear?
Como assim? Não.
Não fez muito sentido.
A sério, devias pensar em fazer isto.
O quê? Ainda nem sabes se resulta.
- Fica-te muito bem. - Obrigada.
Incrível. É isso mesmo.
Neste momento, já experimento tudo.
O Veggie está mesmo a ficar preocupado comigo.
Ontem apanhou-me a pôr um brinquedo da Poppy no fogão.
O quê?
Era uma chaleira de brincar.
Mas não posso continuar sem dormir, pois não?
O que esperas? Achas mesmo que te vão curar?
Céus, espero que sim.
E com sorte, conseguirei fazer algo
quanto à síndrome das pernas inquietas.
- Pernas quê? - É muito estranho.
Sempre que tento dormir, as pernas querem levantar-se.
- Tu e as pernas partilham o cérebro. - Já não sei se é verdade, Danny.
É verdade.
O que foi isso?
Foi a Daisy.
Quem é a Daisy?
Esta é a Daisy.
Donde veio isso?
Bem, hoje o Adam bateu-me à porta.
Tudo bem, meu?
Podias fazer-me um grande favor e cuidar da Daisy?
Quem é a Daisy?
O quê? Daisy, apresento-te o Danny.
Estou a tomar conta dela enquanto a Sra. Jackson está no hospital.
Teve outra crise de angina. Mas chamaram-me.
Incêndio na fábrica de químicos.
A Daisy não dá trabalho nenhum.
Mas está a resolver algumas questões. Emocionais.
Que questões?
Bem, o terapeuta dela diz que é depressão clínica.
- Devido ao complexo de inferioridade. - Desculpa, ela tem terapeuta?
Não gosta de barulhos altos, luzes fortes ou surpresas.
E não gosta nada de ser criticada. Fica passada.
Tendo em conta os vossos problemas, achei que se iam dar lindamente.
Se ela ficar muito ansiosa, o Sr. Fantoche acalma-a.
E como sou um ótimo vizinho, disse...
Não. É um não. Obrigado.
É um sim. Entra.
- É uma cadelinha. - Cadelinha?
Podia pôr-lhe uma sela e montá-la. Olha só, tem bíceps.
O pior é que não gosta de estar sozinha. Tentei ir à casa de banho.
Arrombou-me a porta. Achei que era a Força Aérea.
Talvez estivesse muito aflita para ir à casa de banho.
Vês? Não me deixa em paz.
- O que queres de mim? - Ela gosta de ti, Danny.
Devias ficar contente.
Uma fêmea que gosta de ti. Não é muito habitual.
- Que má. - Desculpa.
Por falar nisso, estou a pensar contactar a Amy.
Quanto tempo devo esperar para contactar uma rapariga
- a quem cortei o dedo? - Eu diria 500 anos.
A sério?
Que pena.
- Ela era incrível. Gostei mesmo dela. - Sim.
Era muito divertida.
Sim, muito divertida. Muito divertida.
- Eu lembro-me. - Era tão divertida.
Ouve, não posso continuar a conversar
porque tenho de tentar dormir.
Sim, eu também. Tenho de desligar.
Sim? O que vais fazer?
Tenho de me preparar para uma entrevista de emprego.
- Com quem? - A revista Rolling Stone.
Não acredito. Meu Deus. Danny, isso é incrível.
Porque não disseste nada?
Bem, não queria agoirar.
É só uma entrevista, não te entusiasmes.
Só uma entrevista? Não, é o máximo. Vais conseguir o trabalho.
Não, não, já disseste.
- Agoiraste. - O quê? Não...
Muito bem.
Aonde foste?
Lisa. Sou a Dra. Stafford. Já conheceu a Kat.
Olá.
Vou explicar-lhe um pouco o que vamos fazer.
- Vamos monitorizá-la com estes... - Ímanes polissonográficos?
Já vi que esteve a pesquisar.
Vão ajudar-nos a avaliar e a estudar os seus padrões de sono
e comportamento cognitivo. Usamos os resultados para...
Ajudar a formular uma estratégia para tratar as minhas insónias
e a minha rotina noturna.
Parece que temos uma perita, Kat.
Não é nada irritante.
Só tem de dizer que "concorda".
Desculpe. Perdi a página.
- Desculpe. - Não faz mal.
Deixe-me só tentar encont...
Gosto dos seus sapatos.
Obrigada. A Kat acha-os um pouco espalhafatosos.
Não foi isso que eu quis dizer.
Certo. Enquanto esperamos pela Kat.
Tem consigo estimulantes, como bebidas com cafeína
ou dispositivos eletrónicos? Portátil, tablet ou telemóvel?
- Ótimo. - Não.
Já foi à casa de banho?
Sim, fui, mas não fiz nada.
Isso vai afetar o meu diagnóstico?
Não é um problema. Pode ir durante a noite.
Não se esqueça de desligar o microfone. É esse botãozinho.
- Achei-a. - Avisem a imprensa, informem o rei.
Carregue aqui.
São 23h30. As luzes vão apagar em breve.
Por favor, tente dormir.
- Boa noite. - Boa noitinha.
- Gosto dos seus sapatos. - É tarde de mais.
BOWIE E PRINCE - A SUPERBANDA HOLOGRÁFICA
Porque me dificultas tanto a vida? É só um gato.
Anda, anda. Sobe.
Fica. Olha.
Vou só... Para conseguir...
Ouve. Presta atenção. Fica. Fica aí. Vou buscar o Sr. Fantoche.
Daisy, o que é isto? Vê o que...
Mas que...
Não, não, não. Não, o que fizeste?
Meu Deus, o que fizeste? Seu enorme... cu peludo.
Daisy, volta. Desculpa. Retiro o que disse. Retiro o "cu".
Estou?
Ela estragou tudo.
O quê?
A minha preparação. E a entrevista é daqui a quatro horas.
- Meu Deus. Que horror. - Sim.
É mesmo. E foi-se tudo. A preparação, as ideias, desapareceram.
Foi-se tudo. Tinha páginas inteiras sobre Bowie e Prince,
a Superbanda Holográfica. Tinha Cremação dos Creedence,
A Derradeira Despedida. Perdi tudo. Ela apagou tudo.
E apagou-o de uma forma impossível de recuperar.
Como é possível?
Achas que ela é um génio do mal?
- Estamos a falar da cadela? - Sim, está armada em tonta.
Mudou a língua do portátil para espanhol.
- O quê? - Sim.
Procurei a "ajuda" em espanhol, correu bem,
mas agora tenho de usar a página da ajuda
para ter ajuda na língua errada. É de mais para mim.
Está a levar-me a melhor.
Desculpa. Sei que devias estar a dormir,
mas és a única a quem posso ligar.
Não há problema. Está tudo bem.
Olha, respira, está bem? Estás a respirar?
Infelizmente, estou.
Certo, dá-me dois segundos.
Olá. Desculpe, tenho de ir à casa de banho.
Posso ir?
A porta não está trancada, Mna. Osgood.
Boa.
Como estás? Estás bem?
Sim. Nunca estive melhor.
Ótimo. Estou à procura da casa de banho.
Sim.
CASA DE BANHO - ELEVADOR - ESCADAS
Apanhou-me de mão na massa.
Posso suborná-la com um Twix para esquecer que me viu?
- Não é preciso. Eu não digo nada. - Clyde.
- Lisa. Olá. Sim. - Sim.
É a minha quarta vez aqui.
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